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terça-feira, 10 de março de 2015

Um dos Benéficos de Quem Pedala !!

Chega um dia que a gente pára de ter vergonha da nossa história e passa a ter orgulho...
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Para quem não acompanhou os comentários, um breve resumo dessa história. A reação está sendo impressionante e tenho recebido mensagens de diversos lugares do mundo pois essa foto acabou sendo compartilhada em várias comunidades diferentes.
Estou surpresa com tudo isso. E se essa exposição toda de alguma maneira servir de inspiração para alguém, já valeu. Emoticon smile
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Sempre fui uma criança magra mas como sou alta eu era "a grandona" da turma. O fato de passar a infância sendo a última da fila fez com que a construção da minha auto-estima e imagem fossem bem desvirtuadas. Cresci mais ainda tendo sempre uma relação "estranha" com comida. A adolescência e início da fase adulta já foi lutando contra a balança num engorda/emagrece sofrido. Não era efetivamente gorda, mas nao me aceitava e isso já garantia minha infelicidade. A "grandona" aqui, já com 1,80m de altura se sentia cada vez menor diante do mundo.
E fui comendo e me escondendo. Não me pesava mais e colecionava um armário de roupas de todos os tamanhos.
"De repente", em 2009, eu estava pesando 130kg (110kg na foto) e vivia muito infeliz, com vergonha e trancada em casa. A comida tomou conta da minha vida de maneira incontrolável e doentia. Naturalmente, tentei de tudo, sofria a cada tentativa e comia mais. Um belo dia, comecei a pesquisar sobre cirurgia do estômago e como já estava no fundo do meu poço, não tive duvidas em operar. Muitos podem pensar: "Ah, então foi fácil". Não, não foi. É um processo muito delicado de restrição, dor e controle (afinal, eu operei o estômago e não o cérebro, rs)
A bike entrou exatamente 30 dias depois da cirurgia. Nessa foto, não pedalava há uns 20 anos e foi uma redescoberta. Graças a ela o corpo voltou "magicamente" pro lugar, fiz grandes amigos e hoje me agarro nesse esporte e estilo de vida. Para se ter ideia, em outubro de 2009, 7 meses depois já estava com 55kg a menos. Hoje, é muito difícil um dia que não pedale.
Quem me conhece sabe que nunca fui de postar nada sobre isso por vergonha mesmo. Acredito que a maioria sequer imagina esse episódio na minha vida. Mas ontem, ao me deparar com essa foto levei um susto tão grande e toda a trajetória passou por minha cabeça. E pela pessoa da esquerda ter sofrido tanto e já ser tão distante como uma vida passada decidi que era hora de compartilhar essa história de renascimento e auto-conhecimento. Peso e comida serão sempre questões na minha rotina e essa foto serve de inspiração para mim também que hoje luto para perder uns bons 6, 7 kgs.
O que pude tirar de lição? É que há sofrimentos que a gente precisa passar. Para compreender melhor, para crescer e, no meu caso, finalmente, me aceitar com todos os meus defeitos e complexos que ainda existem. Sou grandona sim, e daí?
Outra lição importante foi aprender a hastear minha bandeira branca e pedir ajuda quando já não conseguia reagir sozinha. Amarrar os sapatos já se tornava difícil, a roleta do ônibus era cada vez menor e comprar roupas, impossível. Cadeiras? Só sentava nas realmente confiáveis. Se falarmos de saúde, estava com síndrome metabólica (que é quando a casa está caindo), cirrose hepática mesmo nunca tendo ingerido uma gota de álcool e a glicose lá nas alturas com a porta da diabetes sorrindo para mim. Resumidamente, estava presa num corpo que não era meu. Olhava no espelho e não me via. Logo passei a nem me olhar mais. Gritei por socorro e como eu fui ajudada…
Então, novamente, minha gratidão pública e eterna aos meus pais Maria Cristina eCarlos, ao meu ex-namorado Breno Hirata, que povoaram e coloriram minha estrada quando tudo era sombra e solidão. À minha analista Natália Iencareli que cuida da minha cabecinha tão perturbada, segura a minha mão e me ajuda a encarar todas as grandes ondas quando, no fundo, eu preferiria fugir (como ela vai ficar orgulhosa disso aqui). Ao meu falecido médico Dr. Paulo Athayde que quando me viu entrar em seu consultório pela primeira vez, previu "Eu já vejo o resultado final, você vai ficar ótima!" (bem, eu acreditei) Emoticon smile À nutricionista que (mesmo distante) é parte da minha família Selma Bagrichevsky Autran, que sempre abriu as portas de seu consultório e de seu coração para meus distúrbios e angústias. A todos os professores, treinadores e amigos que estimulam à prática esportiva sempre acreditando que eu posso mais porque eu posso mais mesmo.
A todos os ombros, colos e ouvidos dos meus amigos, né, Renata Salomone? Saibam que se eu faltei aniversários, casamentos, festinhas e datas especiais é porque eu estava presa dentro de mim. Obrigada por compreenderem e respeitarem e me perdoem por isso. Hoje eu topo tudo!
Vocês são inesquecíveis. Amo vocês!
Obrigada a todos pelas palavras, realmente não imaginava a energia boa!

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